Clínica de Litigância Estratégica

A Clínica de Litigância Estratégica da FGV Direito SP tem por objetivo oferecer aos alunos uma experiência real de solução de casos complexos, para os quais são necessárias habilidades e competências de diversas áreas do direito, como constitucional, internacional, penal e processual, e de fora do direito, como a saúde, sociologia, antropologia, economia e políticas públicas. A clínica se alinha, assim, à ideia de que os alunos da FGV Direito SP serão capazes, profissionalmente, de se tornarem arquitetos de soluções jurídicas complexas.

Tendo em vista a natureza da Clínica de Litigância Estratégica, os alunos trabalham com casos de interesse público e direitos humanos, como uma forma de retribuir conhecimento, criando uma colaboração entre academia e sociedade. Coordenada pela professora Eloísa Machado de Almeida, a clínica tem privilegiado casos de grande repercussão política, social e econômica em pauta nos tribunais. No seu primeiro ano de funcionamento, trabalhou com o estado de coisas inconstitucional do sistema prisional brasileiro; neste segundo ano, com a epidemia de zika vírus no país.

A noção de litígio estratégico, tal como trabalhada na clínica, compreende não só um profundo conhecimento do caso trabalhado como também a articulação de parceiros, a compreensão dos atores políticos envolvidos no debate e a mobilização do debate público.

 

 

TRABALHOS

Sistema prisional

No segundo semestre de 2015, os alunos da Clínica de Litigância Estratégica tiveram como clientes o Instituto Pro Bono, que queria se manifestar como amicus curiae perante o Supremo Tribunal Federal (STF) em ações sobre a reforma prisional. Os alunos debateram com seus diretores, apresentaram uma tese e produziram uma intensa pesquisa para o cliente. O amicus curiae traz o tema das mulheres presas grávidas e foi desenvolvido em parceria com a Sociedade Brasileira de Direito Público (SBDP), com parecer do professor Carlos Ari Sundfeld, e com a Clínica de Direitos Humanos Luiz Gama, da USP, sendo protocolado no STF no dia 15 de dezembro de 2015.

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Prevenção e combate à tortura

Tendo como cliente o Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, a Clínica de Litigância Estratégica da FGV Direito SP elaborou um parecer sobre os possíveis caminhos para se impedir o arquivamento de caso de tortura de Veronica Bolina, travesti presa com homens (http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/04/travesti-fica-desfigurada-apos-prisao-defensoria-diz-haver-indicio-de-tortura.html). Os alunos estudaram todos os processos, normas nacionais e internacionais, fizeram reuniões e apresentaram ao comitê uma proposta de incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal. O trabalho foi entregue ao comitê e será usado por eles oportunamente.

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Zika vírus e aborto

Em 2016, o caso escolhido para a Clínica de Litigância Estratégica foi o combate ao zika vírus e a implementação de medidas de apoio à saúde de mulheres afetadas. O instrumento usado foi a incidência no Supremo Tribunal Federal (STF) através de amicus curiae. A primeira atividade da clínica foi a leitura e o estudo de informes, artigos e relatórios sobre amicus curiae e sobre zika vírus. A segunda atividade foi a entrevista com a diretora de Assuntos Legislativos da Associação Nacional dos Defensores Públicos (ANADEP), instituição que estava se preparando para ingressar no STF com uma ação direta de inconstitucionalidade denunciando a omissão do poder público em oferecer políticas de saúde adequadas aos desafios impostos pela epidemia de zika vírus. Na entrevista, os alunos tiraram dúvidas sobre a estratégia e conheceram, em primeira mão, os argumentos do caso. Os alunos tiveram, também, palestra com a doutora em saúde pública pela USP, Laura Mattar, que apresentou dados sobre mortes maternas e direitos reprodutivos no Brasil. Os alunos partiram, então, para o estudo da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5581, de seus relatórios e documentos. A estratégia proposta pelos alunos foi a elaboração de argumentos jurídicos em favor da descriminalização do aborto no país. Os alunos aprofundaram a pesquisa bibliográfica e redigiram os argumentos. A etapa seguinte foi a redação do amicus curiae, com o título: “Seis argumentos em favor da descriminalização do aborto no Brasil”. O documento foi, então, enviado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCrim), parceiro cliente da clínica neste caso. A fim de promover uma mobilização do debate público sobre o assunto, os alunos redigiram, em parceria com o projeto Supremo em Pauta, artigos publicados no blog Supremo em Pauta, em parceria com o Estadão.

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