Pesquisa inédita da FGV Direito SP mapeia a inclusão de gênero em 88 empresas no Brasil

10/01/2018[Atualizado em: 11/01/2018 - 16:03]

Uma pesquisa inédita realizada pela FGV Direito SP mapeou o papel das mulheres em cargo de liderança em 43 companhias nacionais e 45 multinacionais atuantes em 14 setores econômicos no Brasil. O estudo, coordenado pela professora Ligia Paula Pires Pinto Sica, que também coordena o Grupo de Pesquisas em Direito, Gênero e Identidade da escola, gerou uma base de dados que foi utilizada como subsídio para formular o Guia Mulheres na Liderança, uma realização da revista Exame e da associação WILL - Women in Leadership in Latin America.

Os primeiros resultados analisaram políticas, práticas e processos de equidade de gênero. “Notamos que, ao menos a nível nacional, a adoção dessas políticas ainda é pouco avançada”, afirma Lígia Sica.

A professora explica que a pesquisa consistiu primeiramente no desenvolvimento de uma metodologia própria, mas em consonância com as iniciativas já existentes no Brasil e no mundo em sustentabilidade social, na forma de um questionário que fosse capaz de levantar as práticas e políticas adotadas pelas empresas com sede no país para promover e incentivar a ascensão e permanência de mulheres em seus cargos de liderança e medir a eficácia destas na promoção desses objetivos.

Nessa etapa foram consideradas três premissas: i) existe uma sub-representação de mulheres em cargos de liderança nas empresas brasileiras; ii) é natural que as empresas possuam diferentes graus de compromisso, de preocupação ou de utilização de princípios de equidade de gênero em seus processos e; iii) empresas que são conduzidas por um modelo de negócio que leva em consideração a gestão de relacionamento com seus stakeholders e o trazem para o alinhamento estratégico desenvolvem uma vantagem competitiva perene.

O questionário, estruturado em três blocos, previa ações e áreas de atuação que poderiam servir de modelo para as empresas se espelharem, enfrentarem situações de desigualdade entre os gêneros, introjetarem preceitos de acolhimento e inclusão em suas culturas, bem como modernizar seus processos e práticas. As questões diziam respeito à estrutura e processos da empresa e também especificamente sobre o posicionamento externo e o olhar interno da empresa sobre a temática da equidade de gênero e a liderança feminina.

Em um segundo momento, as práticas e políticas descritas pelas empresas por meio do questionário de autoavaliação foram enquadradas em seis eixos temáticos e avaliadas pelas pesquisadoras por meio de um sistema de pontuação, segundo o qual cada prática e política recebeu um ponto de -1 a +1, de acordo com o seu potencial de promover a ascensão e permanência de mulheres na liderança. Isso permitiu que as empresas participantes fossem ranqueadas em seus respectivos setores.

Os dados obtidos por meio do questionário e a pontuação de cada respondente foram utilizados como subsidio para formular o Guia Mulheres na Liderança, uma realização da revista Exame e da WILL, com metodologia desenvolvida pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo. O guia foi publicado no fim de 2017.

Constatou-se, por exemplo, que há setores nos quais há mais práticas e políticas com vistas à promoção da equidade de gênero (com destaque para o setor de bens de consumo) do que em outros (o setor de serviços foi o que menos pontuou), mas que isso não reflete necessariamente um maior número proporcional de mulheres na liderança (o setor de saúde não obteve destaque no número de políticas, mas foi o mais bem colocado em número de mulheres na liderança).

Os resultados da pesquisa foram divulgados no Fórum Mulheres na Liderança, evento realizado na AMCHAM em São Paulo, no dia 19 de outubro, ocasião na qual as empresas que obtiveram destaque em seu setor, em um dos eixos temáticos (Estímulo à Liderança Feminina; Estrutura, Processos e Estratégia da empresa; Atuação Externa; Monitoramento da Equidade de Gênero; Combate à Discriminação de Gênero e Equilíbrio entre Trabalho e Vida Pessoal) e de acordo com seu porte foram premiadas, como forma de reconhecimento e para servir de modelo para o mercado.

A pesquisa, conduzida ao longo dos anos de 2016 e 2017, contou com financiamento conjunto da Fundação Getulio Vargas e do Banco Itaú.

Acesse o Relatório Final do GUIA EXAME DE MULHERES NA LIDERANÇA

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