Centro de Pesquisa Aplicada em Direito e Justiça Racial

Ano de criação
2020

A criação do Centro de Pesquisa Aplicada em Direito e Justiça Racial em 2020 pela FGV Direito SP se dá em meio a um cenário desafiador de crise democrática no Brasil. Como Estado democrático, historicamente, o Brasil tem ficado aquém de suas obrigações de providenciar cidadania integral a grupos desempoderados, especialmente negros e pobres. O Direito tem exercido papel central na reprodução da desigualdade racial em diversas esferas, incluindo ações policiais que visam à perfilagem racial, barreiras legais que impedem o acesso de candidatos negros aos fundos eleitorais, reformas legais que impactam majoritariamente a população negra, entre outras.

O funcionamento intrínseco do sistema judicial e a maneira como as categorias e interpretações legais fomentam a desigualdade racial são ainda pouco pesquisados no Brasil. Expor esses padrões é um passo importante para diagnosticar práticas legais questionáveis que contribuem para a distribuição desigual de direitos e bens sociais entre a população negra. O Centro de Pesquisa Aplicada em Direito e Justiça Racial da FGV Direito SP pretende aproveitar a oportunidade de um debate mais difundido acerca do racismo estrutural na sociedade brasileira para aprofundar a compreensão sobre qual seria o papel do Direito na luta contra o racismo. Além disso, a falta de dados públicos confiáveis discriminados por raça é especialmente grave no escopo do sistema judiciário e dos órgãos de segurança pública. Em um contexto de falta de transparência de dados, a pesquisa tem o papel fundamental de denunciar a ausência de neutralidade da Justiça e de alimentar os movimentos em prol da justiça social, com argumentos que fundamentam a luta contra injustiças sociais.

O Centro de Pesquisa Aplicada em Direito e Justiça Racial dá, também, um passo além. Considerando o número cada vez maior de alunos universitários negros nas universidades brasileiras, se faz urgente aproveitar a oportunidade para corrigir a falta de representatividade racial nas pesquisas relacionadas ao Direito. Ao se posicionar como um centro de pesquisa aplicada à mudança social, também vai contribuir para preencher as lacunas de acadêmicos negros nos círculos do Direito da elite acadêmica e as lacunas ainda mais severas entre as ações dos movimentos sociais e o trabalho dos acadêmicos. Assim, o centro vai possibilitar a produção de conhecimento, o diálogo entre acadêmicos e ativistas e a participação especializada no debate racial público, nacional e internacional.

O Centro de Pesquisa Aplicada em Direito e Justiça Racial acredita que, para combater o racismo estrutural no Brasil, é preciso lidar com as raízes culturais, sociais, econômicas, políticas e legais do país. O Direito é uma das muitas maneiras pelas quais o racismo se reproduz, mas ao mesmo tempo é uma das ferramentas para combatê-lo. Por isso, o centro não tem a ambição de abordar o racismo em toda a sua complexidade, mas sim jogar luz sobre um de seus aspectos comumente negligenciado: a perpetuação do racismo por meio das instituições e regulações do Direito. Para tanto, a lógica da mudança que permeia o centro é, em primeiro lugar, tornar explícito o racismo estrutural no Direito e no sistema judiciário por meio de pesquisas legais que tragam para o centro da análise a desigualdade racial no Direito. Em seguida, disseminar os resultados para além dos círculos acadêmicos, por meio de diversas estratégias de mídia, com o objetivo de responsabilizar publicamente as instituições legais para que, assim, fiquem suscetíveis a mudanças de longo prazo. O centro também visa produzir doutrinas legais comprometidas com a igualdade racial, bem como disponibilizá-las aos atores no centro desse debate independente.

Equipe

Coordenação:

Thiago Amparo

Marta Machado

Luã Ferreira da Silva

Catharina Vilela

Daniel Biagio

Líderes de pesquisa:

Adilson Moreira

Alessandra Benedito

André Gerardi

Bianca Tavolari

Julia Drummond

Luciana Gross

Luciana Ramos

Priscila Rocha

Pesquisadores:

Amanda Pavanelli

Amanda Quaresma

Anderson Fraiha Machado

Ayodeli Mariana, Catarina Barbieri

Chiara Passoni

Débora Ribeiro

Dennis Pacheco

Dirceu Andre Gerardi

Ezequiel Fajreldines Santos

Iasmin Pires

Isabelle Varanda

Ivan Osmo Mardegan

Jessica Tavares Cerqueira

José Vitor Pereira Neto

Juliana Fabbron Marin Marin

Lígia de Souza Cerqueira

Luã Ferreira da Silva

Nathalia Santos

Natali Siqueira

Paula Cordeiro

Synthya Maia

Taynná Francisco Miranda

Vitoria Santos

Parcerias

Parcerias:

Afro/Cebrap

Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made)

Instituto de Referência Negra Peregum

Coalizão Negra Por Direitos

Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Internet.Lab

Financiadores:

Open Society Foundations

Tides Foundation/Google.org

Instituto Ibirapitanga

Instituto Betty e Jacob Lafer

Instituto Clima e Sociedade (ICS)